Vladimir Kush

Vladimir KUSH, Ripples on the Ocean, (Ondulações no Oceano)

Rumi

A vela do navio do ser humano é a fé.
Quando há uma vela, o vento pode levá-lo
A um lugar após outro de poder e maravilha.
Sem vela, todas as palavras são ventos.

Jalāl-ad-Dīn Muhammad RUMI




quinta-feira, 28 de maio de 2009

1625

Entre as grandes felicidades e victorias do notauel anno de 1625, pode Hespanha com razão contar e cantar a alegre noua do nouo descobrimento do Gram Cathayo, e Reynos de Tibet, cousa tantos annos ha dos Portuguezes desejada, e com tantos trabalhos e perigos dos Prègadores Euangelicos em vão té agora intentada. Digo felicidades e victorias do anno de 1625, por ser o Santo, e nelle a Rainha S. Isabel, Padroeira e Senhora deste reino canonizada; a Bahya restaurada com tanta gloria nossa, quanta infamia dos imigos; Bredà rendida, depois de tão perfiado cerco; a armada dos Olandezes vencida pella Portugueza no Oriente; a de Inglaterra frustrada de seus intentos, e rebatida dos nossos com tanto valor no Occidente; a Frota e naos da India, liures quasi milagrosamente da dos imigos.

Felicidades são, que fazem notauel, e memorauel o anno de 1625, e a nós notauel obrigação a ser dellas sempre lembrados, pera dar a sua diuina Magestade as deuidas graças. E com muito mòr rezão deue o mundo todo festejar a redução do grande imperio de Ethiopia á obediencia da Sancta Igreja Catholica Romana: imperio tão grande, que elle só he igual, ou mayor que toda nossa Europa, pois tem de largo quinhentas legoas e de comprido setecentas.

Padre António de Andrade, O Descobrimento do Tibet, (publicado em Lisboa, por Matheus Pinheiro, em 1626) Coimbra, Imprensa da Universidade, 1921, Edição Fac-Simile, Alcalá, Lisboa, 2005

Sem comentários: